Eleições em São Paulo colocam habitação e acesso à casa própria no centro das propostas dos candidatos

Erik Nordalen
Por Erik Nordalen 9 Min de leitura

Planos apresentados na eleição de 2026 incluem moradia popular, regularização fundiária e apoio aos municípios, enquanto mercado imobiliário mantém crescimento.

A habitação entrou no debate eleitoral de São Paulo em um momento de forte movimentação no mercado imobiliário e de preocupação das famílias com o custo da casa própria. Nesta terça-feira, 25 de agosto de 2026, propostas relacionadas à construção de moradias, regularização de imóveis e desenvolvimento urbano estão entre os assuntos apresentados pelos candidatos ao Governo de São Paulo. A discussão ocorre enquanto programas habitacionais públicos continuam exercendo papel relevante na aquisição de imóveis, especialmente entre famílias de menor renda. (Portas)

A principal questão para quem pretende comprar um imóvel é saber se as propostas eleitorais poderão realmente facilitar o acesso à moradia. O impacto pode ocorrer por diferentes caminhos, como subsídios estaduais, construção de unidades populares, regularização fundiária, apoio técnico às prefeituras e integração das políticas estaduais com programas federais. Para o mercado imobiliário, as decisões do próximo governo também podem influenciar a quantidade de empreendimentos disponíveis e as condições para novos projetos habitacionais.

O que os candidatos ao Governo de São Paulo propõem para habitação?

Os planos apresentados pelos candidatos mostram que a habitação permanece como uma das áreas em disputa na eleição estadual. Entre os temas encontrados nas propostas estão ampliação de programas habitacionais, produção de moradias populares, regularização fundiária, urbanização e medidas voltadas ao desenvolvimento das cidades. Uma reportagem publicada em 25 de agosto reuniu as principais propostas dos concorrentes ao Palácio dos Bandeirantes e mostrou que o acesso à moradia aparece com abordagens diferentes entre as candidaturas. (Portas)

Fernando Haddad (PT), por exemplo, incluiu em seu programa eleitoral medidas relacionadas à moradia e ao apoio técnico aos municípios. Entre as propostas apresentadas durante a campanha está oferecer suporte para que prefeituras consigam viabilizar projetos de habitação popular, enquanto seu plano registrado também aborda políticas de moradia dentro de um conjunto mais amplo de diretrizes estaduais. Esse tipo de iniciativa pode ser particularmente relevante para municípios que possuem estrutura administrativa menor e encontram dificuldades para desenvolver projetos habitacionais de maior porte. (UOL Notícias)

Do outro lado da disputa, Tarcísio de Freitas (Republicanos) chega à campanha de reeleição tendo como uma das vitrines de sua gestão a política habitacional desenvolvida pelo Governo de São Paulo. Isso coloca programas estaduais existentes no centro da comparação entre continuidade e mudança de gestão. Para o eleitor interessado em comprar o primeiro imóvel, porém, a análise precisa ir além das promessas gerais: é importante observar quais propostas apresentam critérios de renda, quantidade de unidades, orçamento, municípios atendidos e formas de integração com financiamentos habitacionais.

Por que a política habitacional também interessa ao mercado imobiliário?

A discussão eleitoral acontece em um momento no qual o setor imobiliário continua registrando crescimento mesmo diante do custo elevado do crédito. Dados divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em parceria com a Brain Inteligência Estratégica, mostram que as vendas de imóveis novos cresceram 5,3% no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. Foram comercializadas 113.676 unidades em 221 cidades pesquisadas, enquanto os juros elevados continuam pressionando principalmente os segmentos de médio e alto padrão. (Folha de S.Paulo)

O Minha Casa, Minha Vida tem participação importante nesse resultado. Segundo os dados apresentados pela CBIC, empreendimentos vinculados ao programa federal responderam por aproximadamente 58% dos lançamentos e 50% das vendas analisadas. Subsídios e possibilidade de utilização do FGTS ajudam a reduzir parte do impacto provocado pelos juros, tornando esse segmento menos dependente das mesmas condições enfrentadas por compradores de imóveis fora dos programas habitacionais. No primeiro semestre, as vendas de imóveis novos avançaram 5,4%, também impulsionadas pelo desempenho do Minha Casa, Minha Vida. (Portas)

Esse cenário ajuda a explicar por que habitação deixou de ser um assunto restrito às políticas sociais e passou a ocupar também espaço importante nas discussões econômicas. Quando governos ampliam subsídios ou facilitam a produção de habitação popular, construtoras podem encontrar demanda adicional para novos empreendimentos. Ao mesmo tempo, mais famílias passam a ter condições de avaliar a compra do primeiro imóvel. O efeito não é automático, porque preços dos terrenos, juros, renda familiar, custos da construção e disponibilidade de crédito continuam determinantes, mas políticas públicas podem modificar significativamente as condições de entrada no mercado.

O que pode mudar para quem pretende comprar um imóvel em São Paulo?

Para o consumidor, uma das principais questões será acompanhar quais propostas apresentadas durante a campanha poderão efetivamente virar políticas públicas a partir de 2027. Prometer mais moradias não significa necessariamente que os imóveis ficarão mais baratos para toda a população. Programas habitacionais normalmente possuem limites de renda, regras específicas, localização determinada dos empreendimentos e condições próprias de financiamento, o que torna importante verificar quem poderá ser beneficiado antes de considerar uma proposta eleitoral como vantagem financeira garantida.

Outro fator relevante será a relação entre políticas estaduais e federais. O desempenho recente do Minha Casa, Minha Vida demonstra o peso dos programas públicos sobre determinados segmentos do mercado, enquanto São Paulo possui instrumentos próprios de política habitacional. A combinação de subsídio estadual, recursos federais, FGTS e financiamento bancário pode reduzir o valor que algumas famílias precisam desembolsar para adquirir uma residência, dependendo das regras aplicáveis a cada operação. (Portas)

Também existe uma discussão sobre a oferta futura de imóveis. Entidades ligadas ao setor de loteamentos passaram a cobrar dos candidatos maior atenção ao déficit habitacional e às políticas de desenvolvimento urbano. A Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano (AELO), por exemplo, apresentou diagnóstico do setor durante o período eleitoral e defendeu que os eleitores observem os planos dos candidatos para habitação e expansão das cidades. (DiárioZonaNorte)

A eleição paulista de 2026, portanto, pode ter consequências que vão além da troca de comando no Palácio dos Bandeirantes. Habitação envolve orçamento público, planejamento urbano, construção civil, financiamento e capacidade das prefeituras de desenvolver novos projetos, fazendo com que decisões estaduais tenham reflexos tanto para famílias quanto para empresas do mercado imobiliário.

Para quem pretende comprar a primeira casa ou apartamento, o período eleitoral oferece uma oportunidade para comparar propostas com aquilo que já existe e verificar quais candidatos apresentam metas mensuráveis. O mercado imobiliário chega ao debate mostrando crescimento nas vendas, mas ainda enfrenta o desafio dos juros elevados e da dificuldade de acesso ao crédito fora dos programas subsidiados. (Folha de S.Paulo)

Até a eleição, a tendência é que habitação ganhe espaço nos programas e debates dos candidatos, especialmente diante do interesse dos eleitores pela casa própria. Mais importante do que o número de promessas será acompanhar detalhes como quantidade prevista de moradias, critérios para receber subsídios, orçamento disponível, regularização de imóveis e participação dos municípios. São esses elementos que permitirão avaliar quais propostas podem efetivamente ampliar o acesso à moradia em São Paulo.

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