Paulo Roberto Gomes Fernandes, na avaliação de rotinas de integridade, costuma chamar atenção para um ponto que nem sempre recebe a mesma visibilidade do duto em si: válvulas e estações concentram risco por serem interfaces entre operação, instrumentação e manutenção. Em 2026, muitos incidentes relevantes começam em componentes auxiliares, em vedações, conexões, sistemas de acionamento e procedimentos de manobra, porque são locais de intervenção frequente e de maior complexidade operacional.
Tratar integridade como tema apenas “linear” tende a criar lacunas. Estações operam com alterações de regime, manutenção recorrente e múltiplos pontos de potencial perda. Assim, o plano de integridade precisa incluir criticidade para equipamentos, indicadores de confiabilidade e governança de mudanças, evitando que pequenos desvios se acumulem até o momento em que a resposta precisa ser imediata.
Por que o risco se concentra onde há operação ativa
Trechos longos podem permanecer estáveis por longos períodos, enquanto estações passam por manobras, ajustes e manutenção com maior frequência. Por conseguinte, a probabilidade de falha cresce onde há ação constante, com maior desgaste de vedação, maior exposição à corrosão localizada e maior chance de intervenção inadequada. Nessa lógica, o risco não se concentra apenas em travessias sensíveis, mas também em pontos onde o sistema “respira” e muda de comportamento.
Adicionalmente, estações são ambientes com muitos elementos de conexão. Flanges, drenos, instrumentos e atuadores ampliam os pontos de potencial vazamento e exigem inspeção mais cuidadosa. Conforme analisado por Paulo Roberto Gomes Fernandes, o perigo operacional costuma estar em perdas pequenas e persistentes, que passam despercebidas, porém geram degradação de confiabilidade e criam vulnerabilidade para eventos maiores.
Indicadores e inspeções orientadas por criticidade
A gestão eficiente depende de indicadores de confiabilidade por equipamento. Taxa de falha, reincidência de vazamentos, tempo entre manutenções e desempenho em testes de acionamento são sinais que antecipam deterioração. Nesse sentido, Paulo Roberto Gomes Fernandes esclarece que as inspeções precisam ser orientadas por criticidade, priorizando equipamentos com histórico de recorrência, ambientes agressivos e ativos antigos com documentação incompleta.

Ainda assim, indicador sem ação vira inventário de pendências. Para o especialista, cada achado relevante precisa resultar em intervenção programada, correção imediata ou justificativa técnica para postergar, sempre com registro do risco residual. Desse modo, a organização reduz a reincidência e evita a sensação de que os problemas “voltam” sempre aos mesmos pontos.
Automação, acionamento e testes que comprovam disponibilidade
Automação pode reduzir tempo de resposta, porém exige verificação periódica. Atuadores, baterias, comunicação e redundâncias precisam ser testados para que a disponibilidade não seja apenas presumida. Nessa conjuntura, falhas em acionamento costumam ser críticas porque aparecem quando o sistema precisa isolar rapidamente, e a falha pode ampliar a consequência.
Paulo Roberto Gomes Fernandes indica que testes e simulações devem fazer parte da rotina, com registro e correção de desvios. Além disso, protocolos precisam prever modo degradado, definindo como operar com segurança quando a automação está indisponível. Assim, a resposta não depende de improviso, e a equipe consegue atuar com clareza mesmo sob pressão.
Governança de mudanças e disciplina de manutenção
Estações mudam com o tempo. Substituições de componentes, ajustes de projeto, melhorias e intervenções emergenciais podem introduzir incompatibilidades, se não houver controle de mudanças. Por conseguinte, rastreabilidade é parte do método: o que foi alterado, por qual motivo, com qual impacto e sob qual critério de aceitação. Isso reduz divergências internas e melhora a qualidade das auditorias.
Em linhas gerais, Paulo Roberto Gomes Fernandes enfatiza que válvulas e estações precisam receber tratamento de criticidade equivalente ao duto, com indicadores, testes e governança de mudanças. Quando esses elementos operam de forma integrada, a operação reduz falhas recorrentes, melhora o tempo de resposta e sustenta previsibilidade justamente nos pontos onde o risco tende a se concentrar.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

