O mercado de imóveis no interior paulista apresentou ritmos diferentes entre os segmentos no primeiro semestre de 2026. Levantamento realizado em 42 municípios do interior de São Paulo e da Baixada Santista identificou queda de 12% nos lançamentos de unidades verticais em comparação com o período analisado anteriormente. As vendas desse tipo de imóvel recuaram 3% no mesmo intervalo.
Os dados foram apresentados em 23 de setembro pelo Secovi-SP e pelo SindusCon-SP, durante um webinar sobre o comportamento do mercado imobiliário fora da capital. A pesquisa foi elaborada pela Brain Inteligência Estratégica e reúne informações de municípios do interior paulista e do litoral, incluindo a Baixada Santista.
O resultado não foi uniforme entre os produtos residenciais. Enquanto os lançamentos verticais diminuíram, os empreendimentos de casas em condomínio cresceram 44% no primeiro semestre. Segundo o levantamento, esse avanço esteve relacionado à demanda por imóveis vinculados ao Minha Casa, Minha Vida, programa habitacional federal voltado a famílias enquadradas em determinadas faixas de renda.
Mercado vertical teve retração nos lançamentos
Os imóveis verticais, como apartamentos, chegaram ao preço médio de venda de R$ 637 mil nos municípios pesquisados. A combinação entre menor volume de lançamentos e redução mais moderada nas vendas indica um mercado com comportamento distinto entre a oferta de novos empreendimentos e a comercialização das unidades disponíveis.
O recuo de 12% nos lançamentos mostra que as empresas colocaram menos projetos verticais no mercado durante os seis primeiros meses do ano. Já a queda de 3% nas vendas foi menos intensa, o que diferencia o desempenho da oferta e da demanda no segmento. O levantamento, porém, não apresenta no resumo divulgado uma abertura por município que permita comparar individualmente as cidades analisadas.
Para quem acompanha a oferta habitacional no interior e no litoral, os números ajudam a dimensionar a diversidade desses mercados. Os 42 municípios pesquisados não formam um único bloco: reúnem localidades com perfis urbanos, econômicos e demográficos distintos. Por isso, os percentuais devem ser lidos como uma fotografia conjunta da região, e não como resultado idêntico para cada cidade.
Casas em condomínio avançam com presença do Minha Casa, Minha Vida
O segmento de casas em condomínio foi o destaque positivo da pesquisa. O crescimento de 44% nos lançamentos ocorreu em um contexto de maior presença de produtos relacionados ao Minha Casa, Minha Vida. O dado mostra que a expansão da oferta popular não se limitou a empreendimentos verticais nos municípios considerados.
As unidades enquadradas no programa tiveram preço médio de R$ 289 mil, valor inferior ao registrado para os imóveis verticais de maneira geral. A diferença evidencia a separação entre os produtos voltados à habitação popular e o conjunto mais amplo de apartamentos comercializados na pesquisa.
O levantamento não afirma que todos os imóveis dentro desse valor estejam disponíveis para qualquer família ou em qualquer município. A possibilidade de enquadramento depende das regras vigentes do programa, da renda familiar, da modalidade do empreendimento e das condições de financiamento aplicáveis. O preço médio, portanto, serve como referência estatística do grupo pesquisado, e não como promessa de preço para novos lançamentos.
Contexto do financiamento habitacional
O desempenho regional ocorre em um ambiente no qual o crédito imobiliário continua sendo um dos fatores relevantes para a compra da casa própria. Em publicação sobre o financiamento imobiliário pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) destacou o comportamento dessa modalidade no primeiro semestre de 2026.
Essa referência ajuda a separar duas dimensões do mercado: a disponibilidade de financiamento em âmbito nacional e o desempenho específico dos lançamentos em cidades do interior e do litoral paulista. Mesmo quando há crédito para a aquisição, os resultados podem variar conforme o preço dos imóveis, a renda das famílias, a oferta local e o perfil dos empreendimentos.
Os dados apresentados pelo Secovi-SP e pelo SindusCon-SP indicam, assim, uma mudança na composição dos lançamentos pesquisados. O mercado vertical perdeu força no período, enquanto as casas em condomínio ganharam espaço, especialmente em produtos associados ao Minha Casa, Minha Vida. A evolução dos próximos levantamentos poderá mostrar se essa diferença entre os segmentos será mantida ao longo de 2026.

