Crédito digital alcança 86,1 milhões de brasileiros enquanto fintechs reforçam garantias

Redação Jornal Imoveis
Por Redação Jornal Imoveis 6 Min de leitura

A expansão das fintechs de crédito digital já pode ser medida não apenas pelo volume de dinheiro emprestado, mas também pelo alcance da base de clientes e pelo uso de mecanismos de controle das operações. Em 2025, as empresas participantes de uma pesquisa da PwC Brasil em parceria com a Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD) concederam R$ 53,8 bilhões, alta de 51% em relação ao ano anterior.

O levantamento, apresentado na edição 2026 da Pesquisa Fintechs de Crédito Digital da PwC Brasil, também registrou 86,1 milhões de clientes pessoa física no Brasil. Considerando os consumidores atendidos no exterior, a base total chegou a 94,9 milhões. Os números indicam que o setor deixou de operar apenas em uma fase experimental e passou a lidar com uma escala mais ampla de atendimento.

Mais clientes e operações maiores

O crescimento ocorreu em um cenário considerado desafiador para o crédito. A pesquisa cita juros elevados, maior custo de captação e um ambiente regulatório mais exigente como fatores presentes na operação das empresas ao longo de 2025. Mesmo assim, as fintechs participantes ampliaram o volume concedido e mantiveram a trajetória de expansão da base de usuários.

O resultado também ajuda a explicar uma mudança no perfil do segmento. De acordo com o estudo, 60% das fintechs pesquisadas já estão em fase de consolidação, considerando empresas com faturamento ou investimentos superiores a R$ 20 milhões. A informação sugere uma concentração maior de companhias em uma etapa de estruturação, com necessidade de sustentar operações, controlar custos e administrar riscos em volumes crescentes.

Para consumidores e empresas que utilizam crédito digital, essa escala tende a ampliar a relevância dessas plataformas no mercado financeiro. A pesquisa, contudo, não apresenta uma relação direta entre o aumento das concessões e a redução de custos para os clientes. O dado objetivo é que as empresas cresceram mesmo com condições financeiras mais restritivas.

Garantias ganham espaço na gestão de risco

Outro destaque do levantamento é a utilização de garantias. Segundo a pesquisa, 79% das fintechs participantes já aceitam algum tipo de garantia em suas operações, o maior percentual da série histórica. A prática aparece em um momento no qual as empresas precisam equilibrar a expansão do crédito com mecanismos de proteção diante do risco de inadimplência.

A adoção de garantias também mostra que o amadurecimento do setor não está ligado somente à criação de novos produtos. As fintechs passaram a reforçar processos relacionados à análise de risco, à estruturação das operações e à capacidade de recuperar valores em caso de descumprimento dos contratos. O levantamento não detalha, na página de divulgação, quais modalidades de garantia são utilizadas por cada empresa.

O tema está inserido no ambiente mais amplo de acompanhamento do sistema financeiro brasileiro. A agenda de notícias do Banco Central do Brasil reúne informações oficiais sobre o funcionamento e a regulação do sistema, contexto relevante para empresas de crédito digital que atuam sob regras específicas e em processo de maior integração ao mercado financeiro.

Expansão veio principalmente das operações existentes

A composição do crescimento é outro ponto importante da pesquisa. Do avanço registrado em 2025, 82% veio do aumento das operações que as fintechs já ofereciam. Apenas 18% da expansão teve origem no lançamento de novas soluções. O dado aponta para uma estratégia baseada principalmente em ganhar escala em produtos conhecidos, em vez de depender da criação contínua de novas linhas de crédito.

Esse movimento pode ser associado à fase de consolidação indicada pelo estudo. Empresas que já contam com uma base expressiva de clientes tendem a concentrar esforços na eficiência operacional, na automação e no aperfeiçoamento das ferramentas de avaliação. A expansão orgânica também reduz a dependência de novidades comerciais para sustentar o crescimento, embora não elimine os desafios relacionados à captação e ao risco.

Inteligência artificial entra na próxima etapa

A inteligência artificial aparece como uma das principais frentes de evolução para os próximos anos. Conforme a pesquisa da PwC Brasil e da ABCD, 96% das empresas participantes afirmam que pretendem implementar ou ampliar soluções de IA nos dois anos seguintes. A tecnologia deve ser incorporada a processos como análise de dados, automação e gestão das operações, embora o estudo divulgado não apresente uma lista única de aplicações para todo o setor.

O avanço da IA ocorre junto com a necessidade de manter controles compatíveis com a escala alcançada. Quanto maior o número de clientes e operações analisadas, maior tende a ser a importância de processos consistentes para avaliação de risco, proteção de dados e acompanhamento dos contratos. A expansão do crédito digital, portanto, combina crescimento comercial com exigências de governança e conformidade.

Os dados de 2025 mostram um setor mais amplo, com maior participação de empresas consolidadas, uso crescente de garantias e planos concretos para ampliar a automação. Para as fintechs, o próximo estágio será transformar escala em eficiência sem perder capacidade de controle em um mercado ainda marcado por custos elevados de crédito e por regras em evolução.

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