Minha Casa, Minha Vida já responde por mais da metade dos imóveis novos no Brasil

Erik Nordalen
Por Erik Nordalen 4 Min de leitura

Programa habitacional atingiu 58% dos lançamentos e 51% das vendas de imóveis residenciais no segundo trimestre de 2026, maior fatia da série histórica

O programa Minha Casa, Minha Vida respondeu por 58% dos imóveis residenciais lançados no Brasil no segundo trimestre de 2026, a maior participação já registrada desde o início da série histórica da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, iniciada em 2019. O dado evidencia até que ponto o programa habitacional se tornou o principal motor do mercado imobiliário brasileiro neste momento.

Das 107.161 unidades residenciais lançadas entre abril e junho, 62.129 estavam enquadradas nas faixas do programa. No trimestre anterior, essa fatia já havia chegado a 50%, o que mostra uma trajetória de crescimento consistente ao longo do ano.

Vendas também passam da metade do mercado

O comportamento se repete do lado das vendas. Entre abril e junho, o Brasil comercializou 113.676 imóveis residenciais novos, e 58.392 dessas unidades pertenciam ao Minha Casa, Minha Vida, o equivalente a 51% do total vendido no período. No acumulado do primeiro semestre, as vendas de todos os padrões residenciais somaram 226.536 unidades, um avanço de 5,4% sobre igual período de 2025, enquanto os lançamentos ficaram praticamente estáveis, com recuo de apenas 0,3%.

Esses números mostram um mercado dividido em dois ritmos distintos: de um lado, o segmento econômico ligado ao programa habitacional segue em expansão; de outro, os padrões médio e alto crescem em ritmo bem mais contido, mais sensíveis ao custo elevado do crédito.

O avanço do programa ganhou impulso com atualizações nas regras de acesso. Pelas condições vigentes do Ministério das Cidades, famílias urbanas com renda mensal de até R$ 13 mil já podem acessar a linha financiada, e na modalidade voltada à classe média o valor do imóvel pode chegar a R$ 600 mil. As taxas de juros nominais variam conforme a renda, a região e o vínculo com o FGTS, partindo de 4% e podendo chegar a 10% ao ano.

Incorporadoras redirecionam suas estratégias

O crescimento da participação do Minha Casa, Minha Vida também reflete a retração observada nos segmentos médio e médio-alto, mais sensíveis ao custo do crédito imobiliário tradicional. Diante desse cenário, empresas historicamente associadas a padrões mais altos, como Trisul, Eztec, Lavvi, Melnick, Moura Dubeux e Tecnisa, passaram a atuar também no programa habitacional, reposicionando parte de seus lançamentos para atender à faixa de renda contemplada pelo programa.

Esse movimento de incorporadoras tradicionais migrando para o segmento econômico tende a se intensificar caso as taxas de juros de mercado permaneçam elevadas por mais tempo, já que o financiamento com condições facilitadas do FGTS segue como alternativa mais acessível para grande parte dos compradores.

Estoque cresce, mas segue enxuto para a demanda

O estoque nacional de imóveis enquadrados no Minha Casa, Minha Vida alcançou 137,1 mil unidades, alta de 23% na comparação anual. Apesar do crescimento, esse volume é suficiente para cerca de 7,6 meses de vendas no ritmo atual, o que ainda indica um mercado relativamente enxuto diante da demanda. O cenário combina procura consistente com a necessidade de mais escala e eficiência produtiva por parte das construtoras, já que as margens do segmento econômico costumam ser mais apertadas do que as de empreendimentos de padrão mais alto.

Fontes:
https://portas.com.br/noticias/mcmv-chega-a-58-dos-lancamentos-e-51-das-vendas-de-imoveis-novos/
https://www.estadao.com.br/economia/mcmv-metade-lancamentos-vendas-imoveis-novos/

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