Cemitérios em expansão: como o crescimento das cidades brasileiras está moldando o setor funerário  

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez 6 Min de leitura
Tiago Schietti

Tiago Oliva Schietti, empresário do setor cemiterial e funerário, permite contextualizar como o crescimento acelerado das cidades brasileiras, observado nos últimos anos, tem reformulado a maneira como infraestruturas essenciais são planejadas, pressionando a expansão de cemitérios e estruturas funerárias em diferentes regiões do país. 

Esse movimento acompanha um processo mais amplo de adensamento urbano, no qual a disputa por espaço se torna cada vez mais acirrada e exige das empresas do setor uma capacidade crescente de planejamento antecipado. Ao mesmo tempo, fatores como o envelhecimento populacional e a mudança no perfil demográfico das cidades reforçam a necessidade de ampliar e modernizar a infraestrutura cemiterial existente, de modo a acompanhar uma demanda que tende a se intensificar nas próximas décadas.

Quer saber mais sobre este tópico dos cemitérios em expansão? Confira o artigo a seguir!

Escassez de espaço em áreas centrais pressiona a construção de novos cemitérios 

A expansão populacional das grandes cidades, combinada ao adensamento de áreas urbanas, tem reduzido significativamente a disponibilidade de espaços adequados para novos empreendimentos cemiteriais. Terrenos próximos a regiões centrais tornaram-se escassos e caros, levando empresas a buscar alternativas em áreas periféricas, com necessidade de investimento em acesso viário, transporte e infraestrutura básica.

Esse cenário exige planejamento de longo prazo, já que a implantação de novos cemitérios envolve etapas complexas de licenciamento ambiental, estudos de impacto e adequação às normas municipais. A escassez de espaço também tem impulsionado a verticalização de estruturas funerárias, com a construção de columbários e edificações que otimizam o uso do solo sem comprometer a qualidade do serviço oferecido.

Conforme detalha Tiago Oliva Schietti, a expansão do setor não pode ser tratada apenas como resposta à demanda imediata, mas precisa considerar projeções demográficas de médio e longo prazo, evitando que novas estruturas se tornem insuficientes em poucos anos.

Aumento da expectativa de vida impulsiona necessidade de investimentos em infraestrutura funerária

O envelhecimento da população brasileira é um dos fatores mais relevantes para a projeção de demanda do setor funerário nas próximas décadas. Com o aumento da expectativa de vida e a alteração da pirâmide etária, a necessidade de espaços e serviços funerários tende a crescer de forma consistente, exigindo planejamento antecipado por parte das empresas.

Esse cenário reforça a importância de investimentos em infraestrutura capaz de absorver esse crescimento sem comprometer a qualidade do atendimento, alude Tiago Oliva Schietti. Cidades de médio porte, que historicamente concentravam menos investimentos no setor, passam a representar oportunidades relevantes de expansão, já que também enfrentam o mesmo processo de envelhecimento populacional observado nos grandes centros.

Tiago Schietti
Tiago Schietti

A combinação entre crescimento urbano e envelhecimento populacional cria um cenário de dupla pressão sobre a infraestrutura existente, tornando a expansão planejada uma necessidade estratégica, e não apenas uma oportunidade de mercado.

Como o planejamento urbano pode facilitar a expansão de cemitérios nas cidades?  

A integração entre planejamento urbano e expansão cemiterial exige diálogo constante entre poder público e iniciativa privada. Normas de zoneamento, restrições ambientais e a necessidade de preservar áreas verdes tornam o processo de aprovação de novos empreendimentos mais complexo, exigindo que as empresas atuem com transparência e respeito às exigências legais.

Cidades que incorporam o planejamento cemiterial em seus planos diretores conseguem antecipar necessidades futuras com mais eficiência, evitando situações de saturação que prejudicam tanto as famílias quanto a gestão pública. Esse alinhamento entre setor público e privado tende a se tornar cada vez mais relevante à medida que a pressão demográfica se intensifica.

Tiago Oliva Schietti, como empresário do setor cemiterial e funerário, está relacionado à compreensão de que a expansão responsável do setor depende dessa articulação entre diferentes agentes, reforçando a importância de um planejamento que vá além dos interesses imediatos das empresas.

Quais modelos de gestão estão sendo aplicados para facilitar a expansão em áreas urbanas restritas?

Entre as estratégias adotadas para garantir expansão sustentável, destacam-se a otimização do uso do solo, a adoção de modelos de gestão de espaços mais eficientes e o investimento em infraestrutura que permita ampliações graduais, sem necessidade de novos licenciamentos complexos a cada etapa.

A criação de reservas técnicas de espaço dentro dos próprios empreendimentos também tem se mostrado uma alternativa eficaz, permitindo que cemitérios já existentes ampliem sua capacidade sem necessidade de novas áreas. Esse modelo reduz custos e agiliza a resposta da empresa diante do crescimento da demanda local.

Como pontua Tiago Oliva Schietti, essas estratégias de otimização tendem a ganhar ainda mais relevância em regiões onde a disponibilidade de novos terrenos é mais restrita, exigindo soluções criativas que conciliem expansão e uso responsável do espaço. A expansão do setor cemiterial, portanto, caminha lado a lado com a evolução urbana das cidades brasileiras, exigindo planejamento técnico, articulação institucional e visão de longo prazo por parte das empresas que atuam nesse mercado em constante transformação.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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